segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Lápis, Borracha e Papel Cavalinho

Cada pessoa segue o seu caminho. De forma totalmente aleatória, mas com uma precisão incrível, perseguimos um objectivo. Acabar a escola, tirar um curso, trabalhar, ser independente, encontrar o amor das nossas vidas, casar, ter filhos...
Sem objectivos andamos simplesmente à deriva, perdidos, sem rumo. Despertar para um novo dia sem saber bem o porquê de o estarmos a fazer. Ir dormir sem saber o que irá acontecer no dia seguinte. Sem expectativas. Sem ambições. Sem motivos para acordar.
É por isso que nos foi concedido o livre arbitrio. Para que possamos intervir sobre a nossa vida e escolher o que queremos fazer dela. Definir objectivos a curto-prazo, que levem a um grande e derradeiro objectivo. Marcamos os pontos, traçamos as linhas. Rectas, curvas, espirais, riscos e rabiscos. De vez enquando mudamos de cor, mais ou menos alegre ou vistosa.
No entanto nem tudo é assim tão linear. Os caminhos não são de todo percorridos de forma solitária e individualista. Determinados pontos do desenho são marcadas pelo cruzamento e sobreposição com outros materiais de desenho, cores e formas de pintar. São outras mãos que surgem para nos ajudar no nosso caminho. É nestas alturas em que vidas se cruzam e misturam. Algumas acabam por se separar e seguir caminhos distintos novamente. Outras, no entanto, continuam o seu caminho juntas.
É sempre imprevisível o que irá acontecer, já que nenhum caminho é livre de obstáculos. A forma como os percorremos depende do modo como encaramos os obstáculos, de quem os percorre conosco, e de quem já os percorreu conosco outrora. A verdade é que as pessoas entram e saem da vida umas das outras de forma contínua, deixando marcas mais ou menos profundas.
E no fim, quando achamos que o trabalho está completo contemplamos a nossa obra. Para alguns o resultado seria uma obra-prima, para outros umas simples linhas, outros ainda teriam algo semelhante ao desenho feito por uma criança de 3 anos, cheia de cruzamentos, curvas e contra-curvas que nos fazem aprender e descobrir o que somos e queremos.

A vida é feita de encontros e desencontros e, apesar de alguns caminhos se cruzarem e seguirem unidos até ao "grand-finale", outros estão condenados desde início à bifurcação e à sujeição à lei da repulsão das cargas, acabando por cair no esquecimento total.



O Rapaz Moreno

1 comentário:

Praganitas disse...

E há ainda aqueles caminhos que se cruzam de quando em vez, mas que continuam sempre paralelos, para que se possam cruzar sem perdas de tempo sempre que necessário. Aqueles caminhos que se cruzam nas alegrias e nas tristezas, sendo que quem traça cada uma das linhas paralelas não precisa de fazer sinais de fumo para que o cruzar aconteça. Aqueles caminhos que são paralelos porque se vivem no mesmo sentido, com expectativas e experiências que, mais que misturadas ou cruzadas, são partilhadas.

O bom destes caminhos paralelos, é que ao contrário das linhas que nunca se encontram tal como nos ensinam na primária; estes caminhos estão sempre dispostos a um novo cruzamento, a uma reviravolta em que, ainda que por momentos, deixem de ser paralelos e sejam apenas gatafunhos... Porque no fim, continua tudo como é suposto.

Beijo
Gosto de ti :)