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sábado, 29 de maio de 2010

Vento

Vento.
Quando saí de casa às 14:14, em t-shirt, atrasado para apanhar o autocarro das 14:18 estava sol.
Mas também estava vento.
"Que se lixe" não ia voltar atrás para levar um casaco e andar com ele ao ombro, até porque estava sol. E vento.
"Não há-de estar pior quando voltar para casa"
Saído da Farmácia para ir até ao ginásio, sol? Nem vê-lo. Só nuvens. E vento.
"Vá, é só até ao ginásio"
Enquanto corria na passadeira olhava para o relvado de futebol em frente ao HP. Coelhos, muitos. Não fazia ideia de que viviam tantos naqueles arbustos fustigados pelo vento.
"Vai ser bonito quando sair daqui"
20:55, caminhando para a paragem para esperar por um autocarro que só chegaria às 21:15, com sorte, o vento trazia já o frio do anoitecer. Um frio que me fazia comprimir os braços contra o tronco para aquecerem.
Como era de esperar, o autocarro estava atrasado. Os 30 minutos na paragem, ao sabor do vento, pareceram uma eternidade.
Não sei que músicas passaram no iPod, não sei quantos carros passaram por mim.
Naquele período de tempo só existia eu, o céu e o vento. Um vento frio que arrastava as nuvens escuras e as separava umas das outras. E depois? Depois dissipavam-se. Tornavam-se invisíveis ao olho nú.
Os zíliões de gotículas de água condensada eram arrastados pelo vento para o desconhecido, fazendo esquecer que alguma vez existiram.
Uma estranha comparação irónica ao ser humano.

Naquele momento, naquele espaço, debaixo da luz de um candeeiro que se acendia sobre mim e dos faróis dos carros que passavam seguramente a mais de 50 km/h, senti o vento forte bater-me na cara, nos braços, no corpo.
Pedi-lhe que arrastasse os pensamentos que me assolaram a cabeça durante aqueles instantes.
Mas não o fez.
O vento frio do anoitecer é matreiro. Não faz com os pensamentos o mesmo que faz com as nuvens.

Casa. Quarto. Refúgio.
Aqui não há vento frio que incomode.
Apenas os pensamentos que ele me trouxe. E agora, quem é que os arrasta daqui?


O Rapaz Moreno

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Férias (!?)

Já la vai um mês desde o início das aulas e o meu grau de cansaço assemelha-se ao de um ano inteiro... Depois de um primeiro semestre de cortar os pulsos, vem um segundo que se esperava mais "leve". Mas não. Os trabalhos semanais de Tecnologia Farmacêutica II deram lugar a trabalhos inúteis de Saúde Pública, aulas stressantes de Tecnologia Farmacêutica III, aulas completamente dispensáveis de Bioquímica Clínica e um laboratório de Toxicologia que nem vale a pena comentar... Ah e o fenómeno da cadeira de opção de que não percebo NADA!
Aulas teóricas às 8 da manhã de 3ª, 4ª e 5ª feira, dois dias a chegar a casa depois da 21 e um às 20 por semana estão a dar cabo de mim. Sim, tenho a tarde de 2ª livre e a 6ª para fazer nenhum, para além de não ir às teóricas porque aí então não sobrevivia duas semanas para contar a história.
O que é um facto é que este semestre está a ser extremamente desmotivante para mim. Aulas que não prestam, trabalhos que não são avaliados, horários da treta, todo um conjunto de factores que não estão a ajudar em nada. Por mais que nos custe admitir, talvez as melhores aulas sejam mesmo as de Tecnologia.
E hoje no meu primeiro dia de férias o que me apraz fazer? Nada. Rigorosamente nada. Uma pessoa passa um mês inteiro a desejar que cheguem as férias da Páscoa para poder fazer tudo o que não consegue durante o semestre: passear, dormir, cinema, sair, beber (!)... E eu o que quero? Neste momento não quero nada... Só me apetece ficar em casa. Deitado. Sentado. A fazer nada. Literalmente a vegetar. E as séries que tinha para ver? E os jogos que tinha para jogar? Não chamam por mim. Costumam dizer que quando temos trabalho, temos um monte de coisas para fazer que não aquilo, mas falta-nos o tempo, e quando temos tempo já não arranjamos nada com que nos ocupar. Eu tenho o tempo e tenho a ocupação, falta-me a vontade e disposição.
São fases... As mulheres têm TPM, eu tenho destas coisas... Simples, não?

Ah, uma coisa boa para estas férias: fiz hoje análises, por isso já posso comer o que quiser que só vou descobrir se vou morrer precocemente daqui a 1 ano!


O Rapaz Moreno